“Meu nome é Auripenha Neves”
Gravem este nome: Auripenha Atelier – Costura e Cura. Um nome que deu lugar a uma marca. Desafiámos Auripenha Neves, participante no projeto Costurar as Diferenças a contar-nos um pouco sobre o que a fez começar a costurar. Convidamos os leitores a ler esta entrevista que nos deixou também a nós de coração cheio.
- Como surgiu a ideia de criar a marca?
Meu nome é Auripenha Neves. Sou mulher, imigrante e artesã. Carrego nas mãos o que a vida me ensinou: que o fio que costura tecidos, também costura almas.
O amor pela costura começou quando ainda era criança observando um grupo de mulheres numa associação de bairro, e mais tarde, às escondidas, na máquina de costura da minha mãe.
Era um espaço proibido, onde a curiosidade me impulsionava a descobrir que com fios e agulhas podiam criar algo meu, mesmo que em segredo.
Foi ali, entre pequenos pontos e sonhos silenciosos, que nasceu a paixão pela costura. Hoje transformada em amor e propósito.
- Quem era a Auripenha nessa altura e quem é hoje?
Vim de longe, trazendo sonhos, coragem e vontade de reconstruir a vida num novo lugar. Como muitas outras mulheres imigrantes, encontrei desafios, muitos, que não estavam nos planos. O preconceito, a solidão, um recomeço constante. Descobri dentro de mim uma força antiga que nem eu a esperava encontrar.
Decidi usar toda essa força para transformar o mundo. Criei um atelier de costura que cura. Um espaço onde a costura se transforma em terapia e o trabalho manual se torna caminho de autoconhecimento e acolhimento.
- Porquê Costura e Cura? Como relaciona estas palavras que são a inspiração para a criação da sua marca?
Entre linhas, tecidos e palavras, inspiro outras mulheres a reencontrarem a sua própria voz, a acreditarem novamente em si próprias e a perceberem que cada novo ponto pode ser um passo na direção de uma nova história.
No atelier, o fazer artesanal não é apenas um ofício, é símbolo de reconstrução. Cada peça carrega um pedaço de mim, da minha trajetória e da esperança de quem acredita que é possível transformar dor em beleza, silêncio em expressão e vulnerabilidade em possibilidades.
- Quais os planos para o futuro?
Ser mulher, imigrante e artesã é existir entre mundos, o que deixei e o que estou a criar. É resistir com delicadeza, transformar com amor e permanecer fiel à minha essência.
Acredito que a cura de uma mulher transforma a cura de tantas outras ao seu redor. E é por isso que sigo costurando fios, histórias e recomeços.
Os nossos desejos são de sucesso, mas sabemos que o sucesso já está garantido.
Auripenha Neves encontrou na CRESAÇOR e no projeto Costurar as Diferenças o apoio e a oportunidade de elevar o seu sentido criativo a um outro patamar e desenvolver uma nova imagem e produtos. Hoje, já existem três linhas diferentes: linha Turismo, Linha Inclusiva, Linha Infantil e é possível encontrar a marca Auripenha Atelier e os seus produtos no Mercado CORES e encomendar também nas redes sociais desta artesã criativa.

